Mudei
Estou de casa nova!!!
Registrei meu domínio, http://floresnajenala.or
Te espero lá!
Eu estava lendo o blog de um amigo, o Evaldo, e ele me fez lembrar muitas coisas da minha infância…
Eu aprendi andar de bicicleta em uma monareta azul, que na minha é poca já erar ultrapassada, todas as meninas tinham suas Caloi Ceci com cestinhas e fitinhas amarradas no guidão… rsrsrs E eu com aquela coisa horrorosa! Eu aprendi primeiro andar em linha reta e na primeira vez que fui tentar dar uma volta no quarteiraão… (Ai meu Deus, nunca vou esquecer… As pragas dos guris da minha rua estavam todos na outra esquina, tinha parado de chover á pouco tempo e havia uma enooorme poça d’água na esquina, bem onde eu iria fazer a curva…) Eu simplesmente fui virando, virando, virando… Até que virei tanto que a bicicleta parou, fiquei uns 3 segundos me equilibrando, e os meninos me olhando lá da outra esquina, foi quando aconteceu, eu simplemente caí pro lado, com bicicleta e tudo, não coloquei nem a mão nem o pé no chão pra tentar não cair, simplesmente me estatelei deitada naquela poça dágua misturada com barro, os meninos caíram na gargalhada, levantei e meu cabelo escorria um caldo marrom… Eu queria morrer!!!
E o pior para voltar pra casa teria que passar por eles, eram uns cinco todos ali rindo… ai que ódio! Fui empurrando a bicicleta, toda encharcada e suja de barro, quando passei por eles meu amigo Lukas tentando se conter quase sem conseguir falar me perguntou se eu não tinha me machucado… Nem consegui olhar pra eles, fui pra casa, e tive que aturar as folgações do meu irmão… Depois disso fiquei muitos dias sem aparecer na rua, e sem andar de bicicleta…
Só criei coragem depois que minha mãe me contou que quando ela era criança aprendeu a andar de bicicleta em um campinho de futebol e só andava em círculos, quando tentou andar na rua pela primeira vez se enveredou para o lado e só parou na cerca da vizinha…
Pensei que não fui a única a pagar tal mico, mas mesmo eu acho que o meu foi pior, o barro, a água, meu cabelo com aquela mistura… Foi terrível… Hoje acho muito engraçado, mas pra mim que era uma menina tímida, foi o fim. Nunca vou me esquecer daquela monareta azul, dobrável, com um banco todo roído rssss…

Este artigo foi feito especialmente para que você possa estar recortando e possa estar deixando discretamente sobre a mesa de alguém que não consiga estar falando sem estar espalhando essa praga terrível da comunicação moderna, o gerundismo. Você pode também estar passando por fax, estar mandando pelo correio ou estar enviando pela Internet.
O importante é estar garantindo que a pessoa em questão vá estar recebendo esta mensagem, de modo que ela possa estar lendo e, quem sabe, consiga até mesmo estar se dando conta da maneira como tudo o que ela costuma estar falando deve estar soando nos ouvidos de quem precisa estar escutando.
Sinta-se livre para estar fazendo tantas cópias quantas você vá estar achando necessárias, de modo a estar atingindo o maior número de pessoas infectadas por esta epidemia de transmissão oral.
Mais do que estar repreendendo ou estar caçoando, o objetivo deste movimento é estar fazendo com que esteja caindo a ficha das pessoas que costumam estar falando desse jeito sem estar percebendo.
Nós temos que estar nos unindo para estar mostrando a nossos interlocutores que, sim, pode estar existindo uma maneira de estar aprendendo a estar parando de estar falando desse jeito. Até porque, caso contrário, todos nós vamos estar sendo obrigados a estar emigrando para algum lugar onde não vão estar nos obrigando a estar ouvindo frases assim o dia inteirinho. Sinceramente: nossa paciência está ficando a ponto de estar estourando.
O próximo “Eu vou estar transferindo a sua ligação” que eu vá estar ouvindo pode estar provocando alguma reação violenta da minha parte. Eu não vou estar me responsabilizando pelos meus atos.
As pessoas precisam estar entendendo a maneira como esse vício maldito conseguiu estar entrando na linguagem do dia-a-dia.
Tudo começou a estar acontecendo quando alguém precisou estar traduzindo manuais de atendimento por telemarketing. Daí a estar pensando que “We’ll be sending it tomorrow” possa estar tendo o mesmo significado que “Nós vamos estar mandando isso amanhã” acabou por estar sendo só um passo.
Pouco a pouco a coisa deixou de estar acontecendo apenas no âmbito dos atendentes de telemarketing para estar ganhando os escritórios. Todo mundo passou a estar marcando reuniões, a estar considerando pedidos e a estar retornando ligações. A gravidade da situação só começou a estar se evidenciando quando o diálogo mais coloquial demonstrou estar sendo invadido inapelavelmente pelo gerundismo.
A primeira pessoa que inventou de estar falando “Eu vou tá pensando no seu caso” sem querer acabou por estar escancarando uma porta para essa infelicidade lingüística estar se instalando nas ruas e estar entrando em nossas vidas. Você certamente já deve ter estado estando a estar ouvindo coisas como “O que cê vai tá fazendo domingo?” ou “Quando que cê vai tá viajando pra praia?”, ou “Me espera, que eu vou tá te ligando assim que eu chegar em casa”.
Deus, o que a gente pode tá fazendo pra que as pessoas tejam entendendo o que esse negócio pode tá provocando no cérebro das novas gerações?
A única solução vai estar sendo submeter o gerundismo à mesma campanha de desmoralização à qual precisaram estar sendo expostos seus coleguinhas contagiosos, como o “a nível de”, o “enquanto”, o “pra se ter uma idéia” e outros menos votados.
A nível de linguagem, enquanto pessoa, o que você acha de tá insistindo em tá falando desse jeito?
Matéria publicada na coluna “Xongas”, de O Estado de S. Paulo, em 16 de fevereiro de 2001
Autor: Ricardo Freire
